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Eleições 2026 em Goiás: o avanço do impulsionamento digital e os novos desafios entre marketing e Direito Eleitoral

Foto do escritor: Phillipe Marques
Phillipe Marques
há 6 dias
8 min de leitura
Eleições 2026 em Goiás e crescimento do impulsionamento eleitoral nas redes sociais

Mais de R$ 1 milhão já foi declarado em impulsionamento por candidatos goianos. O número mostra que as redes sociais deixaram de ser apenas canais de comunicação e passaram a ocupar posição estratégica nas campanhas eleitorais. Mas investir em mídia digital exige muito mais do que dinheiro: exige estratégia, dados e segurança jurídica.


As Eleições Gerais de 2026 estão produzindo uma transformação importante na comunicação política em Goiás.


Em poucos anos, as redes sociais passaram de canais complementares de divulgação para verdadeiros ambientes de disputa pela atenção do eleitor. Hoje, candidatos precisam disputar espaço não apenas com seus adversários políticos, mas também com milhares de conteúdos publicados diariamente nas plataformas digitais.


Os números registrados até o momento ajudam a dimensionar essa mudança.


Segundo levantamento divulgado pelo Poder Goiás, os candidatos que disputam as eleições em Goiás já declararam mais de R$ 1 milhão em despesas com impulsionamento de conteúdo na internet. O impulsionamento já aparece como a terceira maior categoria de despesa declarada pelas campanhas, atrás de material impresso e adesivos.


O dado é relevante não apenas pelo volume financeiro, mas pelo que ele revela sobre a transformação da comunicação eleitoral.


Goiás tem mais de 5 milhões de eleitores


Para compreender o tamanho desse mercado de atenção, é preciso olhar primeiro para o eleitorado.


Goiás possui 5.081.043 eleitores aptos a votar nas Eleições 2026, segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás. Desse total, aproximadamente 53% são mulheres, que representam 2.691.700 eleitoras.


Isso significa que uma campanha estadual precisa falar com milhões de pessoas distribuídas por diferentes municípios, realidades socioeconômicas, interesses e comportamentos.


Nesse contexto, a comunicação digital oferece uma vantagem estratégica que os meios tradicionais possuem de forma muito mais limitada: a possibilidade de distribuir mensagens para públicos específicos.


É justamente aí que o marketing passa a ter papel central.


O impulsionamento não é apenas compra de mídia


Existe uma interpretação simplista de que impulsionar uma publicação significa apenas colocar dinheiro para aumentar o número de pessoas que verão determinado conteúdo.


Na realidade, uma campanha digital eficiente envolve uma cadeia muito maior:


posicionamento → conteúdo → segmentação → distribuição → mensuração → análise → otimização.


O investimento em mídia é apenas uma parte desse processo.


Uma campanha pode gastar R$ 100 mil e produzir pouco resultado se não houver clareza sobre o posicionamento do candidato, o público que se pretende alcançar, a mensagem que será utilizada e os objetivos de cada campanha.


Da mesma forma, uma estratégia digital bem planejada pode utilizar recursos de maneira mais eficiente ao identificar quais conteúdos geram maior atenção, quais públicos apresentam maior interação e quais mensagens precisam ser ajustadas.


O marketing eleitoral, portanto, não pode ser reduzido à publicação de vídeos nas redes sociais.


Ele precisa ser tratado como uma operação estratégica de comunicação.


O dinheiro está acompanhando a mudança de comportamento


Os dados de Goiás não aparecem isoladamente.


Ainda em junho, levantamento baseado na Biblioteca de Anúncios da Meta apontava que foram gastos aproximadamente R$ 2,3 milhões em anúncios relacionados a temas sociais, eleições ou política em Goiás entre 25 de março e 22 de junho de 2026.


A comparação entre os números também mostra algo importante: existe diferença entre o que aparece nas plataformas como publicidade política e aquilo que posteriormente é registrado na prestação de contas eleitoral.


Isso ocorre porque os universos e períodos de análise são diferentes.


Por isso, é fundamental não confundir o investimento observado nas bibliotecas de anúncios das plataformas com a despesa oficialmente declarada à Justiça Eleitoral.


Ainda assim, os dois conjuntos de informações apontam na mesma direção: a comunicação digital ganhou relevância econômica na política goiana.


A campanha eleitoral ficou mais segmentada


Durante décadas, a comunicação política foi fortemente baseada em televisão, rádio, material impresso, eventos, comícios e presença física.


Esses meios continuam relevantes.


Mas o ambiente digital acrescentou uma possibilidade inédita: adaptar a distribuição da mensagem de acordo com diferentes públicos.


Um candidato pode, por exemplo, desenvolver conteúdos distintos para discutir:


  • educação;

  • saúde;

  • segurança pública;

  • emprego;

  • empreendedorismo;

  • agropecuária;

  • infraestrutura;

  • mobilidade;

  • políticas para mulheres;

  • juventude;

  • terceira idade.


O desafio está justamente em fazer essa segmentação sem transformar a campanha em uma coleção desconectada de mensagens.


Estratégia eleitoral não é simplesmente falar coisas diferentes para pessoas diferentes. É construir uma narrativa coerente capaz de sustentar o posicionamento do candidato em diferentes públicos.


Essa é uma das principais contribuições que o marketing profissional pode oferecer às campanhas.


O outro lado da moeda: quanto maior a exposição, maior o risco


O crescimento da comunicação digital também trouxe um aumento da fiscalização.


Em Goiás, o Tribunal Regional Eleitoral registrou 275 denúncias de propaganda irregular em apenas 18 dias de campanha, segundo levantamento divulgado no início de setembro.


Goiânia liderava com 119 registros. No ambiente digital, foram identificadas 28 denúncias relacionadas à propaganda na internet, muitas envolvendo publicações apócrifas.


Poucos dias antes, outro levantamento apontava 108 denúncias em Goiás desde o início oficial da campanha, com 16 relacionadas especificamente à internet.


Esses números precisam ser analisados com cautela. Uma denúncia não significa necessariamente que houve uma irregularidade comprovada.


Mas o dado demonstra uma mudança importante: o eleitor está fiscalizando.


E essa fiscalização acontece em um ambiente no qual praticamente qualquer pessoa pode registrar uma denúncia, anexar imagens, vídeos, áudios ou links e encaminhar o material à Justiça Eleitoral por meio do Pardal.


Isso altera completamente a lógica de gestão de risco de uma campanha.


Marketing eleitoral e Direito Eleitoral precisam trabalhar juntos


É justamente nesse ponto que marketing e Direito Eleitoral deixam de ser áreas separadas.


Uma campanha pode ter uma excelente estratégia de comunicação e, ainda assim, criar riscos jurídicos se não houver controle sobre a forma como os conteúdos são produzidos, publicados e distribuídos.


Por outro lado, uma campanha excessivamente preocupada apenas com restrições jurídicas pode perder velocidade, criatividade e capacidade de comunicação.


O equilíbrio está em integrar as duas áreas desde o planejamento.


O profissional de marketing precisa compreender os limites jurídicos da comunicação eleitoral.


O profissional jurídico precisa compreender como funciona a dinâmica das plataformas, da publicidade digital, da produção de conteúdo e da distribuição de mensagens.


Essa integração permite que a campanha não tenha de escolher entre criatividade e segurança jurídica.


É possível trabalhar com os dois.


O que a legislação permite na internet?


O Tribunal Superior Eleitoral estabelece que a propaganda eleitoral na internet é permitida desde 16 de agosto de 2026, observadas as regras específicas.


A legislação permite propaganda em sites de candidatos, partidos, federações e coligações, além de blogs, redes sociais e aplicativos de mensagens, respeitadas as condições previstas nas normas eleitorais.


Um ponto especialmente importante é que a legislação proíbe a propaganda eleitoral paga na internet, com exceção do impulsionamento de conteúdo, desde que observadas as regras aplicáveis.


Portanto, não existe uma autorização genérica para simplesmente transformar qualquer publicação em anúncio.


O impulsionamento eleitoral está inserido dentro de um conjunto de regras que precisa ser observado pela campanha.


Além disso, os endereços eletrônicos utilizados pelos candidatos devem ser informados à Justiça Eleitoral.



A importância de registrar corretamente os canais digitais


Esse tema ganhou relevância durante a atual eleição.


Levantamento divulgado em setembro mostrou que pelo menos 1.481 candidatos alteraram a lista de redes sociais informada ao TSE desde o início da campanha. Outros 2.719 candidatos não haviam declarado nenhum endereço eletrônico.


A legislação permite alterações, mas exige que novos perfis utilizados para propaganda sejam informados à Justiça Eleitoral dentro das regras estabelecidas.


Para uma campanha profissional, isso significa que o controle dos ativos digitais precisa fazer parte do planejamento jurídico e operacional.


Não basta saber quais redes o candidato possui.


É necessário saber:


  • quais perfis serão utilizados;

  • quem possui acesso;

  • quem administra cada canal;

  • quais contas serão utilizadas para publicidade;

  • quais endereços foram informados à Justiça Eleitoral;

  • quais conteúdos podem ser impulsionados;

  • quem autoriza as publicações;

  • quem controla os investimentos;

  • como as despesas serão documentadas.


Governança digital também é governança eleitoral.


E a inteligência artificial?


Outro elemento que torna as Eleições 2026 diferentes de ciclos anteriores é a utilização de inteligência artificial.


O TSE atualizou as regras da propaganda eleitoral para tratar especificamente de conteúdos sintéticos produzidos ou modificados por inteligência artificial.


Quando utilizada propaganda com conteúdo sintético multimídia gerado por IA ou tecnologia equivalente, existem obrigações de identificação do material. Além disso, existem restrições específicas relacionadas ao uso de conteúdos sintéticos envolvendo imagem, voz ou manifestação de candidatos e pessoas públicas em determinados períodos próximos à votação.


Isso cria uma nova frente de atenção para as equipes de marketing.


A pergunta deixou de ser apenas:

"Podemos publicar esse conteúdo?"


Agora também é necessário perguntar:

"Como esse conteúdo foi produzido?"

"Houve utilização de inteligência artificial?"

"A legislação exige identificação?"

"Existe alguma restrição específica para o período?"


A tecnologia ampliou as possibilidades criativas da comunicação política, mas também ampliou a responsabilidade de quem produz e distribui o conteúdo.


O limite de gastos também precisa entrar na estratégia


Outro ponto que não pode ser ignorado é o limite global de gastos.


Para Goiás, o TRE-GO informa os seguintes limites para as Eleições 2026:

Cargo

Limite de gastos

Governador, 1º turno

R$ 11.562.724,00

Governador, 2º turno

R$ 5.781.362,00

Senador

R$ 4.447.201,54

Deputado federal

R$ 3.176.572,53

Deputado estadual

R$ 1.270.629,01

Os valores são oficiais e constam da página de prestação de contas eleitorais do TRE-GO


Isso significa que o investimento em mídia digital não pode ser analisado isoladamente.


Ele precisa fazer parte do orçamento global da campanha.


Uma estratégia profissional deve definir quanto será destinado à produção audiovisual, mídia digital, material gráfico, eventos, estrutura, pessoal e demais despesas, sempre considerando os limites legais e a necessidade de prestação de contas.


A prestação de contas também mudou a lógica do marketing


Outro ponto importante para as equipes de campanha é que os gastos precisam estar adequadamente documentados.


O TRE-GO informa que os relatórios financeiros devem ser entregues em até 72 horas após o recebimento de cada recurso financeiro e que a prestação de contas parcial das Eleições 2026 deve ser apresentada entre 9 e 13 de setembro.


Isso torna ainda mais importante a integração entre marketing, financeiro, jurídico e coordenação de campanha.


Não adianta uma equipe de mídia executar uma estratégia eficiente se a documentação da contratação, do pagamento e da despesa não acompanhar a operação.


O grande desafio: transformar investimento em estratégia


O dado de mais de R$ 1 milhão em impulsionamento em Goiás chama atenção.


Mas talvez a pergunta mais importante não seja:

"Quanto os candidatos estão gastando?"


A pergunta deveria ser:

"O que os candidatos estão fazendo com esse investimento?"


  1. Porque alcance não é sinônimo de influência.

  2. Visualização não é sinônimo de intenção de voto.

  3. Curtida não é sinônimo de apoio.

  4. E investimento em mídia não é sinônimo de estratégia.


Uma campanha pode aparecer milhões de vezes e ainda assim não construir uma percepção clara sobre o candidato.


Por isso, o marketing eleitoral precisa trabalhar com objetivos.


  • O que queremos construir?

  • Qual posicionamento queremos consolidar?

  • Qual público queremos alcançar?

  • Qual mensagem precisa ser compreendida?

  • Qual ação esperamos do eleitor?

  • Como vamos medir o resultado?


E, principalmente:

  • Como fazer tudo isso respeitando a legislação eleitoral?


A eleição de 2026 mostra uma nova realidade


O cenário de Goiás oferece uma fotografia importante da evolução da comunicação política brasileira.


De um lado, temos mais de cinco milhões de eleitores e uma campanha que precisa alcançar diferentes públicos em um território amplo.


De outro, temos plataformas digitais capazes de distribuir mensagens segmentadas em escala.


No meio disso, existe uma legislação eleitoral cada vez mais atenta ao ambiente digital, uma Justiça Eleitoral equipada para receber denúncias e um eleitor que participa ativamente da fiscalização.


O resultado é uma campanha muito mais complexa, onde o candidato não precisa apenas de presença.


Precisa de posicionamento.

Não precisa apenas de conteúdo.


Precisa de estratégia.

Não precisa apenas de mídia.


Precisa de dados e mensuração.

E não precisa apenas de criatividade.


Precisa de segurança jurídica.


Marketing + Direito: a combinação necessária para a comunicação eleitoral


As Eleições 2026 deixam uma lição importante para candidatos, partidos e equipes de campanha:


Marketing e Direito Eleitoral não podem trabalhar em departamentos isolados.


A comunicação precisa nascer estrategicamente planejada e juridicamente validada.


O conteúdo precisa ser criativo, relevante e adequado às regras eleitorais.


O investimento precisa ser eficiente, mensurável e corretamente contabilizado.


Os canais digitais precisam estar sob controle.


E a campanha precisa estar preparada para responder rapidamente a questionamentos, denúncias e mudanças no ambiente digital.


A política entrou definitivamente na era da comunicação orientada por dados.


Mas isso não significa que tudo pode ser transformado em publicidade.


Na eleição digital, dinheiro pode comprar alcance.

Estratégia transforma alcance em comunicação.

Dados ajudam a transformar comunicação em eficiência.

Segurança jurídica permite que toda essa operação aconteça dentro das regras do jogo democrático.


É nesse encontro entre marketing, estratégia, tecnologia e Direito Eleitoral que está uma das grandes disputas das Eleições 2026.


E Goiás já está mostrando isso na prática.



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